Hipotireoidismo e Apneia do Sono: qual a relação?


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Publicado em: 11 de maio de 2021 às 11:44 Apneia e Hipotireoidismo

Os distúrbios do sono estão mais associados com a tireoide do que se imagina. Você sabia que estudos apontam que distúrbios respiratórios (como a SAOS – Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono) podem ocorrer em uma taxa de 25% a 100% em pacientes que apresentam hipotireoidismo?

 

A relação entre o hipotireoidismo e a Apneia do Sono vem sendo estudada há vários anos, pois percebeu-se que alguns pacientes com o hipotireoidismo apresentavam uma dificuldades respiratórias, que correspondiam com episódios de Apneia do Sono.

 

Tudo aquilo que pode afetar a qualidade do nosso sono, afeta a nossa qualidade de vida e a nossa saúde. E a tireoide, sem dúvidas, influencia e afeta o nosso sono, podendo inclusive, estar associada aos episódios de Apneia do Sono.

 

Por isso, se você possui uma dessas doenças, é preciso estar atento. Nesse conteúdo, reunimos tudo aquilo que você precisa saber sobre essa relação:

 

– O que é hipotireoidismo?

– Como a tireoide influencia no sono?

– O hipotireoidismo causa a Apneia do Sono?

– A evidência da Apneia

– Como é o tratamento de pacientes com Apneia e Hipotireoidismo?

 

Boa leitura!

 

O que é hipotireoidismo?

 

Antes de compreender o que é exatamente o hipotireoidismo, é importante saber a que ele está relacionado – a tireoide.

 

A tireoide é uma glândula que está localizada no nosso pescoço, assumindo um formato aproximado de uma borboleta, onde as duas “asas” são os lobos, ligadas pela parte central, o istmo.

 

Ela é responsável pelo funcionamento de todas as funções vitais do corpo, desde os batimentos cardíacos até a frequência da nossa respiração. Ela também é o órgão encarregado de produzir os hormônios tireoidianos, responsável pelo funcionamento do metabolismo.

 

Quando há um desequilíbrio associado à produção desses hormônios, a pessoa pode apresentar o hipotireoidismo ou o hipertireoidismo, que pode ser controlado com o tratamento indicado pelo endocrinologista.

 

Hipertireoidismo X Hipotireoidismo

 

Dessa forma, pode-se dizer que:

 

– O hipertireoidismo tem como característica uma atividade excessiva da tireoide, aumentando a concentração de hormônios e aumentando a velocidade do metabolismo.

 

As causas mais comuns associadas ao hipertireoidismo são a doença de Graves (que pode vir do histórico familiar), a tireoidite viral (inflamação da glândula), o adenoma (nódulos) e o uso de alguns suplementos.

 

Os sintomas relacionados ao hipertireoidismo são: a aceleração do metabolismo, palpitações, irritabilidade, tremor, ansiedade, intolerância do calor, transpiração intensa, e em alguns casos mais avançados, inchaço na região do pescoço e olhos maiores (oftalmopatia de Graves).

 

– O hipotireoidismo tem como característica uma atividade reduzida da tireoide, diminuindo a produção de hormônios da glândula, e consequentemente, causando a lentidão do metabolismo.

 

Já as causas associadas ao hipotireoidismo é a tireoidite de Hashimoto, deficiência no consumo de iodo, remoção (seja ela total ou parcial) da tireoide, uso de alguns medicamentos, hipotireoidismo congênito, puerpério, entre outros.

 

Os sintomas do hipertireoidismo, por sua vez, são diferentes do hipertireoidismo: pele seca, intolerância ao frio, queda de cabelo, unhas fracas, ansiedade e/ou depressão, cãibras, problemas de sono, aumento de peso, entre outros.

 

O diagnóstico dessas doenças é feito através de um exame físico do endocrinologista e comprovado por um exame de sangue e um ultrassom da tireoide.

 

Como a tireoide influencia no sono?

 

Os distúrbios do sono estão mais associados com a tireoide do que se imagina. Eles influenciam diretamente na qualidade do sono, afetando-a.

 

Para pacientes que possuem o hipertireoidismo, é comum que a parte metabólica do corpo fique mais acelerada e, consequentemente, maior dificuldade para que essas pessoas relaxem.

 

Ao longo do tempo, essa “hiperatividade” e alta taxa energética faz com que essas pessoas apresentem dificuldades para dormir (e permanecer dormindo), causando insônia e um cansaço acima do normal.

 

Além disso, essas pessoas que possuem hipertireoidismo frequentemente se queixam de suores noturnos, que podem estar diretamente relacionados com o ajustamento da temperatura corporal desses pacientes.

 

Já, quando o paciente possui o hipotireoidismo (ou seja, quando a tireoide é menos ativa), ocorre o oposto visto no hipertireoidismo: o organismo torna-se menos ativo. Dessa forma, esse paciente sente-se cansado com maior facilidade e bastante sonolência.

 

Como dito na ADTI (Associação das Doenças da Tireoide) “sabe-se que as pessoas com hipotireoidismo correm um maior risco de desenvolver AOS devido a múltiplos fatores que envolvem a respiração, como a diminuição da capacidade de reação a mudanças químicas e dos músculos envolvidos na respiração”.

 

Dessa forma, é possível afirmar que a tireoide influencia (e muito) na qualidade do sono das pessoas. E mais do que isso, ele pode estar associado a dificuldades respiratórias e casos de Apneia do Sono (AOS).

 

O hipotireoidismo causa a Apneia do Sono?

 

A partir disso, é possível perceber que há uma convergência em se tratando de pessoas que possuem o hipotireoidismo e a Apneia do Sono, inclusive com relação a alguns sintomas.

 

Sintomas da dificuldade ou paradas respiratórias, cansaço excessivo durante o dia, sonolência excessiva, apatia, dores de cabeça, dificuldade de concentração, entre outras, são relacionados tanto ao hipotireoidismo quanto à Apneia do Sono.

 

Dessa forma, fica a questão: o hipotireoidismo é um fator que causa a Apneia do Sono?

 

Conforme dito pelo Dr. Diógenes Freire, “Pacientes com diagnóstico de apneia primária do sono, quando não submetidos às análises da função tireoidiana, são subdiagnosticados e tratados inapropriadamente como portadores de SAOS em decorrência da não detecção do hipotireoidismo. Esses mesmos pacientes têm uma melhora temporária dos sintomas, com os tratamentos preconizados para a SAOS, com inevitável falência desses tratamentos a longo-prazo. Essa “melhora temporária” pode ser evitada se o diagnóstico de hipotireoidismo não for adiado pelo profissional”.

 

Alguns pacientes são pré-diagnosticados com a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) sem ter sido analisados a doenças relacionadas à tireoide, recebem um tratamento para Apneia que apenas apresenta uma melhora dos sintomas no início. 

 

Ou seja, é necessário identificar a origem dos sintomas, e não somente tratá-los. Alguns pacientes são submetidos ao tratamento de Apneia do Sono e recebem uma melhora dos sintomas a curto prazo, mas a real causa do distúrbio respiratório, é, na verdade, na tireoide.

 

A causa da baixa frequência respiratória durante a noite pode estar, na realidade, relacionada com a função metabólica da tireoide e ter como origem o hipotireoidismo.

 

Portanto, não pode-se dizer com certeza que um é o causador do outro. Porém, o que se sabe é que há, sim, uma correlação entre esses dois fatores: como dito no início do texto, a Apneia Obstrutiva do Sono pode ocorrer em uma taxa de 25% a 100% em pacientes que apresentam hipotireoidismo.

 

Pessoas com hipotireoidismo têm maior chance de desenvolver um distúrbio do sono, e por sua vez, pessoas diagnosticadas com Apneia do Sono também são do grupo em que há um risco aumentado de possuir o hipotireoidismo.

 

Isso ocorre porque, quando há um descontrole hormonal com a sua origem na tireoide, os hormônios relacionados ao sono são afetados. Noites mal dormidas ocasionam a interferência na produção do hormônio leptina, responsável pela sensação de saciedade. Além disso, a apneia também interfere na produção do GH, mais conhecido como o hormônio do crescimento.

 

Dessa forma, ter o diagnóstico correto para identificar a origem do distúrbio do sono é essencial para identificar o melhor tratamento para ele, prescrito por um endocrinologista, fisioterapeuta, otorrinolaringologista, pneumologista, etc.

 

A evidência da Apneia

 

A Apneia do Sono pode acometer uma pessoa por vários fatores, seja relacionado à própria anatomia do corpo ou ao estilo de vida da pessoa.

 

O que acontece é que, quando dormimos, relaxamos a musculatura do nosso rosto, o que gera a queda da língua e o deslocamento da mandíbula, o que resulta na obstrução da garganta, dificultando a passagem de ar.

 

Isso é o procedimento comum da nossa musculatura, porém, quando há um relaxamento anormal da musculatura da língua e garganta, há a maior obstrução das vias aéreas que causa a falta de ar.

 

Além disso, outros fatores associados à presença da Apneia são as amídalas e adenoides maiores que o comum, excesso de tecido mole na garganta (associados a pessoas que têm excesso de peso), formato da cabeça e pescoço.

 

A relação entre o estilo de vida da pessoa e a presença da Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) ocorre a partir de que alguns dos nossos hábitos podem influenciar no surgimento do distúrbio, como o peso excessivo, a falta de exercícios físicos, e a hábitos relacionados ao sono.

 

Para saber mais sobre os hábitos do sono que podem melhorar a qualidade da nossa noite, basta clicar aqui e você verá “5 formas práticas para você começar a dormir melhor hoje mesmo”.

 

A Apneia pode parecer simples, mas não tratar um distúrbio do sono pode gerar inúmeras consequências no dia a dia e na saúde do paciente, desde dores na cabeça, falta de concentração e memória, até problemas na pressão e no coração.

 

Para saber mais sobre a Apneia, confira o conteúdo em nosso blog “Apneia do Sono, será que é tudo igual?”, clicando aqui.

 

Como é o tratamento de pacientes com Apneia e Hipotireoidismo?

 

Após descobrir a origem do distúrbio do sono através do diagnóstico de um profissional e exames laboratoriais, é importante iniciar o tratamento adequado.

 

Para tratar o hipotireoidismo, basta, a princípio, adotar na rotina medicamentos prescritos pelo endocrinologista que ajudarão a repor os hormônios da tireoide. Esse tratamento dura, na maior parte das vezes, durante toda a vida do paciente, já que a tendência é que a tireoide necessite cada vez mais da reposição hormonal para o seu pleno funcionamento.

 

Já o tratamento da Apneia do Sono, se for esse o caso, também dependerá do diagnóstico e da prescrição do profissional da saúde conforme o grau de intensidade desse distúrbio.

 

A classificação do grau de Apneia do Sono tem conformidade com o IAH (Índice de Apneia-Hipopneia), que leva em consideração a quantidade total de episódios por hora de sono:

 

– 5 a 15 episódios por hora: grau normal/leve

– 15 a 30 episódios por hora: grau moderado

– + de 30 episódios por hora: grau grave

 

O diagnóstico da Apneia do Sono, bem como a identificação da gravidade, é realizado através da polissonografia, um exame simples e indolor realizado durante uma noite do sono do paciente.

 

Seu tratamento, por sua vez, é mais comum através do uso do aparelho Continuous Positive Airway Pressure (CPAP), uma máscara de ar que abrange o nariz e a boca e desobstrui as vias aéreas, permitindo a melhor qualidade da respiração durante a noite.

 

A Respire Care é especializada no atendimento de pessoas com apneia do sono e distúrbios respiratórios e oferece tecnologias e produtos associados aos cuidados com a saúde.

 

Estar atento com relação à saúde é essencial! Continue nos acompanhando e fique por dentro de tudo o que pode afetar a qualidade de vida relacionada ao sono e a à respiração.

 

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