Efeitos da pandemia na saúde e no sono


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Publicado em: 10 de setembro de 2020 às 09:07

A pandemia com a Covid-19 afetou mais do que a nossa rotina. Ela alterou a forma como nos relacionamos, nosso trabalho e gerou incertezas, medos e inseguranças. O resultado dessa soma é sentida na hora de colocar a cabeça no travesseiro e dormir.

Mas quais os efeitos reais da pandemia no nosso sono? Isso é o que você irá conferir aqui neste artigo. Confira aqui:

 

Efeitos da pandemia no sono

Principais mudanças percebidas 

Alterações nos padrões de sono

Reflexos na saúde mental

Aumento da busca por atendimento especializado

Depressão

Distúrbios do sono

Estresse na convivência familiar

Consumo de bebida alcoólica

 

Esperamos que goste desse conteúdo. Boa Leitura!

 

Efeitos da pandemia no sono

 

Um estudo realizado pela Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico Covid- 19 (Vigitel), com 2007 entrevistados entre 25 de abril e 5 de maio de 2020, apontou que 41,7% dos pesquisados sofrem com algum distúrbio do sono, sendo o mais comum apresentar dificuldade para dormir ou dormir mais do que o habitual.

 

Ainda de acordo com a pesquisa, realizada pelo Ministério da Saúde em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em relação aos problemas de saúde mental que mais provocaram incômodos nos entrevistados nas duas semanas antes à data do inquérito, foram: 

 

Falta de interesse em fazer as coisas (35,3%);

Se sentir cabisbaixo ou deprimido  (32,6%);

Sensação de cansaço ou/e com pouca energia (30,7%);

Lentidão para se movimentar, falar ou muita agitação e inquietação (17,3%);

Dificuldade para se concentrar (16,9%);

Sensação de mal estar consigo mesmo ou achar que decepcionou pessoas queridas (15,9%).

 

E do ponto de vista dos profissionais da saúde, que atuam diretamente na linha de frente, houve uma percepção do aumento de queixas relacionadas ao distúrbio de sono, acima de tudo, sintomas de insônia, podendo estar associadas ou não a quadros de ansiedade e depressão.

 

É válido ressaltar também que pessoas com predisposição para desenvolver ansiedade, depressão ou insônia, ao enfrentarem cenários de incertezas (financeira, futuro, família) e medos como os que são observados em pandemias, podem apresentar um aumento significativo de seus sintomas, o que, se ocorrem em um período grande de tempo, tem chances de evoluir para um problema crônico. 

 

Principais mudanças percebidas

 

Com a imposição de deixar as ruas e ficar em casa, como forma de prevenção do contágio da Covid-19 e o distanciamento social, os hábitos das pessoas foram alterados, inclusive no nosso padrão de sono.

 

Alteração nos padrões de sono

 

Com a rotina alterada, é comum o ciclo circadiano ser afetado. Esse ciclo é uma espécie de relógio biológico, que nos indica a hora de dormir e a despertar. Neste novo cenário pandêmico, em que a presença em casa é constante, pode ser comum ter dificuldade em separar e estabelecer o tempo de trabalhar e a hora de fazer outras coisas.

 

A partir dessa percepção as pessoas tendem ou a ir dormir mais tarde e, assim, acordar mais tarde. Essa alteração do ciclo circadiano é conhecida como Síndrome da Fase do Sono Atrasado.

 

Este transtorno se caracteriza por dormir e acordar tarde, sendo que na maioria das noites, o atraso é de mais de duas horas do que os horários convencionais ou socialmente aceitos. 

Nesta síndrome, o paciente tem dificuldade para pegar no sono e opta por acordar mais tarde.

 

Mas há também o inverso: o deitar-se mais cedo e o despertar precoce, mais conhecida como Síndrome da Fase Avançada do Sono. Aqui, o paciente vai =dormir e acordar muito mais cedo, na maioria das noites com avanço de várias horas do que seu horário de costume ou socialmente aceitável. É comum pacientes relatarem sentir sonolência ou ataques de sono no final da tarde ou início da noite.

 

Reflexos na saúde mental 

 

Em maio deste ano, a Organização Mundial da Saúde já apontava os efeitos da pandemia não só no aspecto físico, mas também na saúde mental da população. 

 

Para se ter uma ideia, as Nações Unidas divulgaram um relatório sobre a necessidade de medidas e investimentos nos serviços de saúde mental, apontando que, houve aumento nos sintomas de depressão e ansiedade em diversos países. 

 

Na Etiópia, por exemplo, foi relatado um aumento de três vezes maior na prevalência de sintomas de depressão, se comparados com números do mesmo período antes da pandemia. 

 

Aumento da busca por atendimento especializado

 

A busca por serviços de atendimento psicológico serve como indicativo do estado da saúde da população e de que existe uma preocupação das pessoas com relação ao tema, como você pode observar no gráfico abaixo:

Busca pelo termo atendimento psicológico no Brasil, de março de 2019 a março de 2020. Fonte: Google Trends.

 

E isso não se resume somente as pesquisas no Google. A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), realizou um levantamento com seus profissionais associados e descobriu que 47.6% dos entrevistados perceberam um crescimento da procura em seus atendimentos. 

 

Para se ter uma ideia, dos pesquisados, 56,4% afirmaram que os atendimentos aumentaram em cerca de 25% se comparados com o mesmo período no ano anterior. 

 

E não é só a população geral que tem o problema. Profissionais de saúde que atuam na linha de frente do enfrentamento da Covid- 19 são particularmente afetados. 

 

Conforme dados da OMS, durante a pandemia na China, os profissionais relataram altas taxas de depressão (50%), ansiedade (45%) e insônia (34%). No Canadá, 47% dos profissionais de saúde entrevistados relataram a necessidade de suporte psicológico.  

 

Depressão 

 

Os níveis de depressão também são preocupantes. A Universidade do Estado do Rio de Janeiro, UFRJ, realizou uma pesquisa em 23 estados do Brasil, com 1460 pessoas e mostrou que os casos de depressão aumentaram em 90% em um intervalo inferior a um mês. 

 

O levantamento foi feito em parceira com a Universidade de Yale, nos Estados Unidos e a coleta foi realizada em dois momentos: entre 20 e 25 de março e entre 15 e 20 de abril,.

 

Na pesquisa, verificou-se uma prevalência de pessoas com estresse, que subiu para 40%. Os quadros de depressão foram de 4,2% para 8%. Já os casos de crise aguda por conta da ansiedade, apresentaram um aumento de 71%, passando de 8.7% para 14,9%.

 

Distúrbios do sono

 

Mais do que o cansaço ao longo do dia, a privação do sono causa prejuízos à nossa saúde física e  mental. Isso porque dormir bem é essencial para o desenvolvimento normal do cérebro, formação de memórias e aprendizado. 

 

Em um curto espaço de tempo, as noite mal dormidas podem provocar cansaço, dores no corpo, irritabilidade, alterações de humor repentinas, raciocínio lento e afeta a capacidade de avaliar riscos, a concentração e ocasiona problemas para desenvolver criatividade e perda de memória de fatos recentes. 

 

Já a longo prazo, a privação de sono reduz o vigor físico, compromete o sistema imunológico e colabora para o envelhecimento precoce, pois os hormônios “rejuvenescedores”, como a melatonina (responsável por deixar a pele descansada), são produzidas apenas durante o sono.

 

Quem dorme pouco também têm maior tendência a desenvolver obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, gastrointestinais, perda crônica de memória, acidente vascular cerebral e doença de Alzheimer

 

Prestar atenção no sono é cuidar da saúde como um todo, por isso, é necessário entender quais fatores podem estar associados a sua falta de sono. Distúrbios de sono são privativos do descanso, sendo os mais comuns a apneia obstrutiva do sono, insônia, bruxismo, ronco, sonambulismo, terror noturno, síndrome das pernas inquietas, narcolepsia, entre outros.

 

 Estresse na convivência familiar

Se com o isolamento social foi possível estar mais em casa e aproveitar o mais o tempo em família, por outro, essa convivência diária pode ser danosa, beirando à exaustão. 

 

Cuidar da casa, dos filhos, trabalhar e tudo isso somados à todos os medos e incertezas do contexto atual, podem drenar drasticamente a energia ao longo do dia.

 

A jornada de afazeres que antes tinha um horário certo para acabar, agora parece não ter fim. O resultado são várias pessoas estressadas, improdutivas e confinadas no mesmo espaço. 

 

E os sintomas aparecem logo ao nascer do sol: cansaço, irritabilidade, fácil esquecimento e baixa produtividade. Um campo minado para a hipersonia, distúrbio em que o cansaço se prolonga ao decorrer do dia, independente de quanto se dormiu na noite anterior ou dos cochilos tirados de dia.

 

Consumo de bebida alcoólica

O sentimento de esgotamento provocado pela pandemia trouxe novos hábitos aos brasileiros. Como válvula de escape, o consumo de álcool aumentou durante a pandemia.

 

Segundo levantamento feito pela Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead), houve um crescimento de 38% nas vendas de bebidas das distribuidoras e de 27% em lojas de conveniência do país. 

 

Estresse, depressão e ansiedade são os maiores motivadores para avanço destes números. O álcool é tido como uma ferramenta que auxilia na superação de conflitos pessoais.

 

O abalo emocional provocado na quarentena desencadeia em abuso das bebidas, podendo levar até mesmo a dependência. Vale ressaltar também que a insônia, que é facilmente desenvolvida em quadros estressantes, é um outro fator que contribui para um maior consumo de álcool. 

 

Considerações 

A Covid-19 colocou a prova muito mais do que a nossa saúde física, e, apesar de todos os cuidados necessários para evitar o contágio, é preciso também observar a sua saúde mental e a qualidade do seu sono.

 

Um sono restaurador é essencial para a manutenção e bom desenvolvimento do cérebro, aprendizagem, concentração, raciocínio e na boa saúde do nosso sistema imunológico. 

 

Se você enfrenta problemas para dormir constantemente, procure ajuda especializada, pois cuidar do seu sono é cuidar da sua vida. Aqui na Respire Care damos o suporte que você precisa, seja para tirar dúvidas ou para conversar com um especialista do sono. 

 

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